“Recebi um resultado positivo para HPV. E agora?” – Todas as informações que você precisa para acalmar o seu coração

Se você chegou até aqui com essa dúvida, eu quero começar te tranquilizando: um teste positivo para HPV não é um diagnóstico de câncer.

Na verdade, ele só indica que o vírus está presente no seu organismo — algo muito mais comum do que parece. O HPV é um vírus extremamente frequente e a maioria das pessoas vai ter contato com ele em algum momento da vida, e na grande parte dos casos, o próprio corpo elimina essa infecção naturalmente ao longo do tempo. Inclusive, é por isso que a vacinação ainda na pré-adolescência é tão importante!

Então, o ponto mais importante aqui não é “ter HPV”. É entender qual é o risco e o que fazer com essa informação.

 

O que o teste de DNA-HPV realmente mostra?

O teste de DNA-HPV é hoje uma das formas mais modernas de rastreamento, porque ele detecta diretamente a presença do vírus antes mesmo de qualquer alteração mais séria aparecer.

Ou seja: ele antecipa o cuidado e permite acompanhar de perto quem realmente precisa

 

HPV positivo não significa doença

Um resultado positivo pode indicar diferentes cenários:

  • Uma infecção recente (que pode desaparecer sozinha)

  • Uma infecção persistente (que precisa de acompanhamento)

  • A presença de tipos de maior risco (como HPV 16 e 18)

Mesmo nesses casos, estamos falando de risco, não de diagnóstico. E é justamente por isso que o acompanhamento é tão importante.

 

“Tem como saber quando eu peguei?”

Essa é uma pergunta que eu escuto muito no consultório — principalmente de mulheres em relacionamentos estáveis. E eu sei que ela vem carregada de emoção.

Mas a resposta, com toda a transparência e cuidado, é: não, não tem como saber exatamente quando você contraiu o HPV.

Isso acontece porque o vírus pode:

  • ficar “adormecido” no organismo por meses ou até anos

  • só se manifestar ou ser detectado muito tempo depois do contato

Ou seja, um resultado positivo hoje não significa uma infecção recente. Por isso, esse diagnóstico não deve ser usado para tirar conclusões sobre relacionamento ou fidelidade.

O mais importante aqui é olhar para a sua saúde — não para a culpa.

 

O que fazer depois de um resultado positivo?

Aqui é onde muita gente se confunde — e às vezes se assusta sem necessidade. O próximo passo não é “tratar o vírus”. É avaliar o impacto dele no seu corpo.

Dependendo do resultado, a conduta pode incluir:

  • Exame complementar (como o Papanicolau)

  • Colposcopia (para olhar o colo do útero com mais detalhe)

  • Acompanhamento periódico

Isso porque o objetivo não é “eliminar o HPV diretamente”, e sim identificar precocemente qualquer alteração que ele possa causar.

 

Existe tratamento para eliminar o HPV?

Essa é uma das dúvidas mais comuns. Hoje, não existe um tratamento que elimine o vírus diretamente.

O que fazemos é:

  • acompanhar
  • tratar lesões, se elas aparecerem
  •  fortalecer o organismo para que ele elimine o vírus naturalmente

Na maioria dos casos, isso acontece sozinho.

 

É preciso tomar a vacina do HPV se eu já possuo um resultado positivo?

Sim! A vacina continua sendo recomendada mesmo para quem já teve contato com o vírus.

Isso porque você pode não ter tido contato com todos os tipos de HPV cobertos pela vacina, principalmente os de alto risco. A vacina pode reduzir o risco de novas infecções ao longo da vida

 

O mais importante que você precisa saber

Se eu pudesse resumir tudo em uma frase, seria essa:

HPV positivo não é motivo para pânico — é um convite para cuidar de você com mais atenção.

Com acompanhamento adequado, a gente consegue:

  • identificar qualquer alteração cedo

  • tratar quando necessário

  • e evitar que isso evolua

E é exatamente por isso que o rastreamento salva vidas.

Se você ficou com alguma dúvida agende uma consulta ou teleconsulta e conte comigo nesse momento tão delicado de cuidado e proteção. 

Novo protocolo de rastreio do câncer de colo do útero (2025)

Você sabia que o Brasil atualizou as diretrizes para a prevenção do câncer de colo do útero? O Ministério da Saúde implementou recentemente um novo protocolo que substitui a tradicional coleta anual do exame preventivo por uma abordagem mais moderna e eficaz, baseada na detecção do HPV — o vírus causador da maioria dos casos da doença.

Essa mudança tem como base o que há de mais atual em evidência científica, mas é importante compreender que, mesmo com essa novidade, as visitas anuais ao ginecologista continuam sendo fundamentais para a saúde da mulher.

Vamos conversar melhor sobre isso?

O que é o novo protocolo?

Antes, o exame mais comum para rastreio do câncer de colo do útero era a citologia oncótica, o famoso “preventivo” ou “Papanicolau”, que detecta alterações nas células do colo do útero. 

Agora, o novo protocolo propõe:

  • O teste de DNA do HPV como método principal de rastreio para mulheres de 25 a 64 anos.

  • Se o teste for negativo, o intervalo para uma nova coleta pode ser de até 5 anos.

  • Mulheres que nunca fizeram o exame devem realizar o primeiro o quanto antes, a partir dos 25 anos.

  • A citologia tradicional passa a ser um exame complementar, indicado principalmente em casos com resultado positivo para HPV.

Essa nova abordagem permite identificar infecções pelo HPV antes mesmo de causarem alterações celulares, aumentando a chance de prevenção efetiva e reduzindo o número de exames desnecessários.

Por que essa mudança é positiva?

O teste de HPV tem maior sensibilidade para detectar riscos reais de câncer. Isso significa que conseguimos identificar com mais precisão as mulheres que realmente precisam de acompanhamento ou tratamento.

Além disso, com a coleta a cada 5 anos (em casos negativos), evita-se a repetição de exames em mulheres com risco muito baixo — o que reduz ansiedade, desconforto e até mesmo procedimentos desnecessários.

Mas… e a consulta anual com o ginecologista?

Essa é a grande ponderação que quero fazer como médica ginecologista e como mulher.

Mesmo com a mudança na frequência da coleta do preventivo, as visitas ao ginecologista não devem ser espaçadas em 5 anos.

A consulta anual é o momento em que podemos:

  • Realizar o exame clínico das mamas;

  • Conversar sobre métodos contraceptivos;

  • Avaliar sintomas como dor pélvica, corrimentos, ciclos menstruais irregulares, alterações de libido ou secura vaginal;

  • Investigar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), endometriose, ovário policístico, miomas, infecções urinárias, entre tantas outras condições;

  • Acompanhar a saúde emocional e mental da mulher — afinal, ginecologia também é escuta.

O ginecologista segue sendo o clínico da mulher, alguém que olha para você por inteiro, e não apenas para o colo do útero!

E os planos de saúde? Eles vão cobrir o teste de HPV?

Essa é uma questão prática e importante já que, hoje, ainda existem planos de saúde que não oferecem cobertura completa para esse exame ou o fazem com restrições.

É fundamental que essa discussão avance para que o acesso ao exame mais eficaz seja garantido para todas as mulheres, independentemente da condição financeira ou do tipo de plano de saúde.

Enquanto isso, muitos consultórios particulares — como o nosso — já oferecem o teste como uma opção segura, atualizada e disponível.

Herpes Recorrente: cuidados e orientações essenciais

Para quem convive com herpes genital recorrente, entender os gatilhos e as estratégias de prevenção pode fazer toda a diferença na qualidade de vida. Embora os surtos sejam comuns, principalmente nas mulheres, há formas de minimizar sua frequência e impacto. Abaixo, compartilho orientações importantes, baseadas em evidências científicas, para ajudar no controle dessa condição.

 

1. Estresse: um grande vilão

O estresse crônico é um dos principais fatores envolvidos na reativação do vírus. Tanto o estresse emocional (como ansiedade, conflitos pessoais ou excesso de trabalho) quanto o físico (esforço intenso, cirurgias, doenças agudas) comprometem o sistema imunológico e aumentam a vulnerabilidade.

Estratégias como psicoterapia, técnicas de respiração e relaxamento, atividade física moderada e uma rotina equilibrada ajudam muito a reduzir a frequência dos surtos.

 

2. Atenção aos microtraumas

Lesões discretas na pele ou mucosa genital também favorecem a reativação viral. Relações sexuais com muito atrito, depilação com cera ou lâmina e até o uso de roupas apertadas podem causar pequenas fissuras que servem de porta de entrada para a atividade viral.

Se você realiza depilação a laser, é fundamental informar o profissional sobre o histórico de herpes antes da aplicação.

 

3. Sono e imunidade

Dormir bem é um pilar da saúde imunológica. A privação de sono reduz a produção de células de defesa e pode favorecer crises. Estabelecer horários regulares e um ambiente acolhedor para o sono é uma forma simples de cuidar da sua imunidade.

 

4. Sobre vacinas

Apesar de alguns estudos em desenvolvimento, ainda não existe uma vacina com eficácia e segurança comprovadascontra o herpes genital. Também é importante evitar o uso de remédios caseiros e fórmulas sem respaldo científico — muitas vezes, esses métodos trazem mais riscos que benefícios.

 

5. Doenças crônicas e cigarro

Condições como diabetes e hipertensão não controladas reduzem a capacidade do corpo de se proteger. Já o tabagismo interfere na cicatrização das lesões e aumenta os riscos de infecção recorrente.

Cuidar da saúde como um todo é fundamental para controlar o herpes.

 

6. Prática de atividade física com equilíbrio

O exercício fortalece o sistema imunológico, melhora o humor e reduz o estresse. Mas o excesso pode levar à fadiga e imunossupressão. Respeite os limites do seu corpo.

 

7. Vida sexual com segurança

O uso de preservativos reduz em até 50% o risco de transmissão do HSV, embora não elimine completamente a possibilidade de contágio. Durante os surtos, a abstinência temporária é a melhor forma de evitar transmissão.

Falar sobre o diagnóstico com o parceiro(a) é um ato de cuidado e respeito — e pode fortalecer ainda mais o vínculo entre vocês.

 

8. Alimentação equilibrada

Uma dieta nutritiva reforça a imunidade. Frutas, vegetais, proteínas magras e gorduras boas devem ser priorizadas.

Alguns estudos sugerem que alimentos ricos em lisina (como leite, queijo, peixes e carnes magras) podem ajudar a inibir o vírus. Em contrapartida, alimentos ricos em arginina, como nozes, amêndoas, sementes e chocolate, devem ser consumidos com moderação, já que esse aminoácido pode favorecer a replicação viral.

Além disso, reduzir o consumo de açúcar refinado e manter uma boa hidratação são atitudes que fazem toda a diferença.

 

9. Cuidados com o ambiente e o clima

Temperaturas extremas, exposição ao sol sem proteção e ambientes úmidos podem desencadear surtos. Use roupas leves, se proteja da radiação UV e mantenha a pele seca e bem cuidada.

 

10. Ciclo menstrual e hormônios

As alterações hormonais do ciclo menstrual também podem interferir na imunidade e favorecer a reativação. Observar padrões cíclicos e conversar com seu ginecologista pode ajudar a entender e prevenir crises com mais precisão.

 

11. Tratamento medicamentoso

Em casos mais intensos, com presença de 6 ou mais casos de herpes por ano pode ser necessário iniciar um tratamento semanal com antivirais por, no mínimo, 6 meses. 

 

Viver com herpes recorrente requer atenção, mas não precisa ser motivo de sofrimento contínuo. Com informação, autocuidado e acompanhamento adequado, é possível reduzir bastante a frequência e a intensidade dos surtos.

Se você tem dúvidas ou sente que está enfrentando desafios com essa condição, procure ajuda especializada!

O uso de agonistas GLP-1 pode reduzir a eficácia dos anticoncepcionais?

Com a popularização do uso de medicamentos voltados para o emagrecimento, um tema que vem gerando dúvidas entre muitas mulheres – e também na comunidade científica – seria a sua possível interferência na eficácia dos medicamentos orais.

Os medicamentos injetáveis mais populares são os agonistas GLP-1 e GIP. Eles atuam promovendo controle glicêmico e contribuindo para a perda de peso, principalmente por retardar o esvaziamento do estômago e aumentar a saciedade. No entanto, justamente por esse efeito digestivo, ele poderia interferir na absorção de medicações administradas por via oral, incluindo as pílulas anticoncepcionais.

Um estudo publicado em 2023 no Journal of the American Pharmacists Association mostrou que, após uma dose de 5 mg do medicamento, houve uma redução de aproximadamente 20% na absorção de anticoncepcionais combinados. Embora os autores ainda não tenham concluído se essa redução compromete, de fato, a eficácia contraceptiva, o alerta é válido, especialmente nos períodos iniciais de uso ou quando há aumento da dose, momentos em que o esvaziamento gástrico tende a estar mais retardado.

Além disso, vale uma atenção especial às mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP). Muitas vezes, essas pacientes apresentam ciclos irregulares e dificuldade para engravidar. Porém, com a perda de peso, o equilíbrio hormonal pode melhorar consideravelmente, favorecendo a ovulação e aumentando a fertilidade. Ou seja, mesmo quem acha improvável uma gestação pode se surpreender — mais um motivo para garantir uma contracepção segura.

Diante de tudo isso, a orientação é que sejam considerados métodos que não dependam da absorção gastrointestinal nas pacientes que optaram por fazer uso dessas medicações. Entre eles, o DIU não hormonal se destaca pela segurança, longa duração e independência de ação digestiva. Ele atua diretamente no útero, criando um ambiente hostil à fecundação e oferecendo uma alternativa eficaz e livre de hormônios.

Caso você tenha dúvidas sobre qual método contraceptivo é mais adequado para sua fase de vida, estou à disposição para te orientar com responsabilidade e acolhimento.

Cuidar do seu corpo com informação é um passo essencial para uma vida mais leve e segura!